Contemporâneos : expressões da literatura brasileira no século XXI

By Beatriz Resende

Um landscape da literatura brasileira hoje - Em ensaios sobre a produção atual, Beatriz Resende analisa o papel da cidade, da violência e da net nos novos romances, contos e crônicas. Escreve-se mais e melhor, mas também de forma mais plural. Autores como Bernardo Carvalho, Daniel Galera, Cecília Giannetti, Joca Terron, entre outros, ganharam notoriedade mais rapidamente que no passado. Para ela o que mais surpreende é que esta geração começou a ser publicada em 1990 e que, apesar de fazer uso do aparato tecnológico típico de seu pace, não se deixou contaminar por suas facilidades. Beatriz Resende é carioca, doutora em literatura comparada e pesquisadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea

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Lusiânia é a mulher que, fechada num 4to, sozinha, espera. Tudo no conto é ausência, é falta, é perda, é escassez. O companheiro, distante, sequer lembra seu verdadeiro nome, desde que lhe inventou um. Foi seu homem quem a contaminou com algo que a destrói, a enfraquece e apaga. Mas a mulner (mulher barbada? ) não o culpa; em lugar disso, pede desculpas por dispersá-lo de sua tarefa maior, a criação literária Paulo Roberto, o homem que a faz esperar ali fechada, está fora, se bronzeia, tem outras mulheres, se esquenta. A mulher, agorafóbica, perde as cores, as formas, a fertilidade, a fome: "Por que deixar esta carcaça vazia ocupando um 4to de resort? Por que deixar meu fantasma sozinho vagando pela pousada? Por que me deixar afogar em meus próprios pensamentos, em meu tédio, minha melancolia? " A narrativa se constrói à medida que recusa tudo o que usualmente compõe um texto: cenário, enredo, marca temporal, recursos imagéticos, metáforas. Enquanto a mulher espera, as frases encurtam, as repetições ocorrem. Até que se cansa: "Abri a janela para o sol me cegar. " Reduzida a nada, ou quase, a mulher sai e escreve sua história, "só quero escrever rninha história, minha própria". Do mínimo, do quase nada . que restou depois de perder sangue, peso, feminilidade, amor, sai, ao ultimate, a escrita, a ficção. Em 2004, Santiago publica A morte sem nome, que começara a escrever antes de Olívio, mas que ainda não considerava pronto ao participar do concurso para estreantes. Nesse segundo romance, Lorena, a personagem significant, morre aofinalde cada capítulo, deixando de lado qualquer preocupação com a aristotélica verossimilhança. Numa espécie de KM Bül em versão brasileira, o mundo pop está ali, cenas de fume ou desenho animado, mas também a herança literária que pode ser evocada CONTEMPORÂNEOS 114 a qualquer momento. No ultimate do romance, um narrador diz: "Você se olha no espelho e ecu lhe digo que você deve voltar a escrever. Por isso está aqui Por isso estamos juntos. É o que deve fazer. E european não devo lhe dizer. " A obsessão retorna, uma tanto excessiva talvez, mas sempre originai Feriado de mim mesmo, de 2005, é, a meu ver, o mais bem resolvido, o mais bem dosado dos três romances. Claro que há controvérsias. Nele, a narrativa se realiza de forma claustrofóbica. Em vez da cidade, ou dos espaços de highway motion picture, aqui o narrador se encontra só, fechado num apartamento, escrevendo. Em relato carregado por certo neo-existencialismo, imerso na solidão, o narrador precisa enfrentar a própria paranóia, seus medos, sua imaginação ou talvez algo mais concreto, o outro, o invasor que chega a escrever em seu lugar: "O problema não period ele, period o outro", diz Miguel, ou... Thomas. "O inferno são os outros", afirmou Sartre, mas, se os eliminamos, o criminoso somos nós. Contrariamente a Morte sem nome, esse romance é marcado pela continência, antes a escassez do que a multiplicidade de feitos especiais. O apartamento vazio, a geladeira vazia, a janela sem vista, o tédio. E a ameaça O outro como ameaça: O telefone tocou.

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